Google+ Followers

domingo, 14 de abril de 2013

O mal que o Aspartame nos faz


O aspartame faz mal à saúde?
Qual é a quantidade de adoçante que nós podemos consumir diariamente?

Quem usa adoçante artificial, especialmente o aspartame, ficou muito assustado com uma pesquisa realizada na Itália e divulgada no Fantástico.
Os estudos feitos em ratos indicaram que o aspartame aumentou o risco de câncer nas cobaias fêmeas.

Mas, será que existe esse perigo para o ser humano? Qual é a quantidade de adoçante que nós podemos consumir?

Os adoçantes são substâncias naturais ou artificiais que substituem o açúcar, adoçando os alimentos com menos calorias para o corpo.
Quem não quer engordar ou não pode consumir açúcar, usa adoçantes.
Um dos mais utilizados no mundo é o aspartame, adoçante artificial 200 vezes mais doce que o açúcar.

Pesquisadores de Bolonha, na Itália, misturaram doses diferentes de aspartame na ração para alimentar 1,8 mil cobaias durante toda a vida delas, mais ou menos três anos. Isso equivale a 30 ou 40 anos da vida de uma pessoa.
A pesquisa indicou que 25%, ou seja, um quarto das cobaias fêmeas de um grupo, tiveram leucemia. Elas receberam a metade do que é permitido aos seres humanos.
Depois do resultado, o diretor da Fundação de Oncologia Ramazzini, Morando Sofritti, afirmou que essa quantidade deveria ser revista porque o aspartame também poderia causar câncer no homem.

O estudo italiano foi recebido com reservas por outros pesquisadores. Entre eles, a professora Anita Sachs, responsável pela cadeira de Nutrição da Universidade Federal de São Paulo.
¿Como é uma pesquisa feita em animais, fica muito difícil transpor isso para os humanos. Acho que esse alerta não deve ser levado em consideração¿, destaca a professora.
A quantidade de aspartame que um adulto pode consumir por dia é de 40 miligramas por quilo de peso.
¿Isso representa para um adulto, mais ou menos, 15 saquinhos de aspartame por dia. Fora disso, ninguém sabe o risco que isso pode representar pro ser humano¿, completa Anita.
Em gotas, a quantidade fica entre de 60 a 80 gotas por dia.

Outros adoçantes artificiais muito usados são: ciclamato de sódio (que as indústrias colocam em vários alimentos dietéticos) e sacarina (que já foi suspeita de causar câncer, mas depois retirada da lista das substâncias cancerígenas).
Vários adoçantes misturam sacarina e ciclamato, mas tem uma desvantagem: o sabor amargo que fica na boca.
A sucralose também é um adoçante sintético e que tem o sabor mais parecido com o açúcar. É usado em vários alimentos e uma das vantagens é que não se altera em altas temperaturas.

Os adoçantes naturais mais encontrados são: stévia (planta nativa do Brasil e da China; é o único adoçante de origem vegetal usado na indústria; deixa um pouco de sabor amargo na boca) e frutose (extraída das frutas e do mel, tem um sabor agradável, mas deve ser consumida com moderação porque é mais calórica).

Dra. Anita Sachs
Fone: (11) 9387-1230

Agrotóxicos ainda em pauta

"Insustentabilidade dos agrotóxicos
O Brasil é o campeão mundial no uso de agrotóxicos no cultivo de alimentos. Cerca de 20% dos pesticidas fabricados no mundo são
despejados em nosso país. Um bilhão de litros ao ano: 5,2 litros por brasileiro! Ao recorde quantitativo soma-se o drama de autorizarmos o uso das substânci
as mais perigosas, já proibidas na maior parte do mundo por causarem danos sociais, econômicos e ambientais. Pesquisas científicas comprovam os impactos dessas substâncias na vida de trabalhadores rurais, consumidores e demais seres vivos, revelando como desencadeiam doenças como câncer, disfunções neurológicas e má formação fetal, entre outras. 

Aumenta a incidência de câncer em crianças. Segundo a oncologista Silvia Brandalise, diretora do Centro Infantil Boldrini, em Campinas (SP), os pesticidas alteram o DNA e levam à carcinogênese. O poder das transnacionais que produzem
agrotóxicos (uma dúzia delas controla 90% do que é ofertado no mundo) permite que o setor garanta a autorização desses produtos danosos nos países menos desenvolvidos, mesmo já tendo sido proibidos em seus países de origem. As pesquisas para a emissão de autorizações analisam somente os efeitos de cada pesticida isoladamente. Não há estudos que verifiquem a combinação desses venenos que se misturam no ambiente e em nossos organismos ao longo dos anos. 

É insustentável a afirmação de que a produção de alimentos, baseada no uso de agrotóxicos, é mais barata. Ao contrário, os custos sociais e ambientais são incalculáveis. Somente em tratamentos de saúde há estimativas de que, para cada real gasto com a aquisição de pesticidas, o poder público desembolsa R$ 1,28 para os cuidados médicos necessários. 

Essa conta todos nós pagamos sem perceber. O modelo monocultor, baseado em grandes propriedades e na utilização de agroquímicos, não resolveu nem irá resolver a questão da fome mundial (872 milhões de desnutridos, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura - FAO). Esse sistema se perpetua com a expansão das fronteiras de cultivo, já que ignora a importância da biodiversidade para o equilíbrio do solo e do clima, fazendo com que as áreas utilizadas se
degradem ao longo do tempo. Ele cresce enquanto há novas áreas a serem incorporadas, aumentando a destruição ambiental e o êxodo rural. Em um planeta finito, assolado por desequilíbrios crescentes, a terra fértil e saudável é cada vez mais preciosa para garantir a sobrevivência dos bilhões de seres humanos. 

Infelizmente não há meio-termo nesse setor. É impossível garantir a qualidade, a segurança e o volume da produção de alimentos dentro desse modelo degradante. Não há como incentivar o uso correto de pesticidas. Isso não é viável em um país tropical como o Brasil, em que o calor faz roupas e equipamentos de segurança, necessários para as aplicações, virarem uma tortura para os trabalhadores. Há que buscar solução na transição agroecológica, ou seja, na gradual e crescente mudança do sistema atual para um novo modelo baseado no cultivo orgânico, mantendo o equilíbrio do solo e a biodiversidade, e redistribuindo a terra em propriedades menores. 

Isso facilita a rotatividade e o consórcio de culturas, o combate natural às pragas e o resgate das relações entre os seres humanos e a natureza, valorizando o clima e as espécies locais. Existem muitas experiências bem-sucedidas em nosso país e em todo o mundo, que comprovam a viabilidade desse novo modelo. Até em assentamentos da reforma agrária há exemplos de como promover a qualidade de vida, a justiça social e o desenvolvimento sustentável. Para fomentar esse debate, e exigir medidas concretas por parte do poder público, foi criada, em abril de 2011, a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida. Dela participam cerca de 50 organizações, como a Via Campesina, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e a Federação dos Trabalhadores do Ramo Químico da CUT no Estado de São Paulo (Fetquim).

Confira o site na internet: 
http://www.contraosagrotoxicos.org/. 
Acampanha visa à conquista da verdadeira soberania alimentar, para que o Brasil deixe de ser mero exportador de commodities (com geração de grandes lucros para uma minoria e imensos danos à população) para se tornar um território em que a produção de alimentos se faça com dignidade social e de forma saudável. A outra opção é seguir nos iludindo com os falsos custos dos alimentos, envenenando nossa terra, reduzindo a biodiversidade, promovendo a concentração de renda, a
socialização dos prejuízos e a criação de hospitais especializados no tratamento de câncer, como ocorre em Unaí (MG), onde se multiplicam os casos dessa gravíssima doença, devido ao cultivo tóxico de feijão."


Autor: Frei Betto
Fonte: Correio Braziliense - 12/04/2013